terça-feira, 12 de outubro de 2010

RENDA E POUPANÇA

Quando se fala em poupança no Brasil, a primeira associação que as pessoas fazem é com a caderneta de poupança, o tipo de aplicação financeira mais simples e tradicional do país. O termo poupança, entretanto, é bem mais amplo. Poupança é a parte da renda não consumida, isto é, a parte da renda que não foi gasta na compra de bens e serviços.

A poupança das pessoas pode assumir três situações: nula, negativa e positiva. Quando uma pessoa tem poupança nula, ela gastou em consumo toda a sua renda obtida. Quando a renda obtida não é gasta totalmente em consumo, a poupança é positiva, ou seja, há “sobra” de renda. A poupança é negativa quando é gasto em consumo valor maior que a renda obtida. As pessoas com poupança negativa tem pelo menos parte de seu consumo financiado. Poupança negativa é a responsável pela existência do crédito. Imagine que uma pessoa não possui nenhuma reserva financeira, recebe seu salário mensal e o gasta totalmente no mês, sem deixar dívidas. Se essa pessoa for comprar, por exemplo, uma geladeira, a opção que dispõe é comprar a prazo ou através de um financiamento. No mês da compra, a poupança que era nula passou a ser negativa, pois a aquisição de bens para consumo foi superior à sua renda. Suponhamos que essa pessoa liquidou a geladeira e voltou à condição de poupança nula. Em determinado mês ela recebe seu 13º. Salário, mas continuou gastando totalmente apenas o seu salário mensal. Nessa situação, sua poupança passou a ser positiva, pois o 13º. não foi gasto.

Portanto, a situação de poupança das pessoas pode variar de acordo com sua renda e seu consumo. Ter poupança negativa em determinado momento não significa necessariamente uma situação ruim, pois essa condição pode ser decorrente de uma antecipação de consumo adequadamente planejada. Por outro lado, ao longo do tempo é importante que as pessoas procurem formar uma reserva de poupança.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CONSUMO E RENDA

O consumo é o ato adquirir e fazer uso de bens e serviços. Para consumir é necessário existir renda, seja ela já ganha ou a ganhar. As pessoas podem obter renda de diversas formas, como salários, aluguéis de bens, juros recebidos, lucros de atividades empresariais ou produtivas. A ciência econômica classifica a renda em salários, aluguéis, juros e lucros. A renda é uma compensação recebida pelo desempenho dentro de determinada atividade econômica, seja produzindo ou participando do processo de produção, como o trabalho. Atividade econômica é qualquer atividade relacionada à produção e distribuição (venda) de bens e serviços. Os salários representam a compensação ao trabalhador pelo fornecimento de sua mão-de-obra ao empregador; os aluguéis referem-se a qualquer tipo de pagamento pela utilização de bens; os juros recebidos referem-se ao “aluguel” do dinheiro a terceiros e os lucros a compensação por atividades de produção de bens e serviços.

Para consumir, as pessoas podem fazer uso tanto da renda já auferida (ganha) quanto de renda futura. Quando as pessoas usam renda futura para consumir hoje, estão fazendo uso do crédito, antecipando consumo e assumindo dívidas. Ou seja, alguém está financiando essa antecipação de consumo. Esse financiamento pode acontecer tanto através do fornecedor do bem a ser consumido, quanto por agentes do sistema financeiro, como bancos e financeiras. Como essas dívidas precisam ser pagas com renda ainda a receber, o poder de consumo futuro das pessoas com dívidas torna-se menor, pois parte da renda será direcionada ao pagamento a seu credor.

Portanto, no momento de assumir uma dívida para aquisição de bens ou serviços o consumidor precisa avaliar o impacto que essa dívida terá em sua renda futura, assim como, os benefícios que essa antecipação de consumo trará para ele. Vários problemas com dívidas são ocasionados por falta de planejamento de consumo, onde as pessoas assumem dívidas comprando coisas muitas vezes não tão necessárias e em condições que comprometem seu consumo futuro. Planejar compras é o primeiro passo para conciliar renda e consumo.

JUROS E TAXA DE JUROS

Os juros representam o preço do dinheiro, na verdade o preço do aluguel do dinheiro. Sempre que houver juros envolvidos em qualquer operação alguém está “alugando” dinheiro para outra pessoa. Vamos fazer comparação com um imóvel. Imagine que alguém aluga uma casa por seis meses pelo valor de R$ 300. A cada mês o inquilino paga os R$ 300 de aluguel e após seis meses devolve de volta a casa ao seu dono. Agora imagine que alguém pega, por exemplo, R$ 10.000 emprestados num banco por seis meses com juros de 3% ao mês. Fica acertado que o tomador do empréstimo pagará os juros todos os meses e o valor principal após os seis meses. Nesse caso, semelhante ao que aconteceu com o aluguel da casa, no dia que faz o empréstimo o tomador recebe do banco os R$ 10.000, paga os R$ 300 de juros todos os meses e no final do prazo devolve os R$ 10.000 ao banco. Nesse exemplo simples fica claro que os R$ 300 de juros representam um “aluguel” pelo uso do dinheiro.

A taxa de juros é a relação entre o valor dos juros pagos ou recebidos e o valor que gerou esses juros, em um determinado período de tempo. Voltando ao exemplo do empréstimo anterior. O valor emprestado são R$ 10.000, os juros pagos a cada mês são R$ 300. R$ 300 representam 3% do valor do empréstimo. Como os R$ 300 são pagos a cada mês, 3% ao mês é a relação entre os juros e o valor do empréstimo em um mês, ou seja, 3% ao mês é a taxa de juros do empréstimo.

A FUNÇÃO DO DINHEIRO

“Para que serve o dinheiro?” Para muitas pessoas a resposta que vem imediatamente à mente é: “para gastar”.

Os livros de economia citam como três as principais funções do dinheiro: meio de troca, unidade de conta e reserva de valor.

A função meio de troca está diretamente ligada à resposta da pergunta acima. O dinheiro serve para ser trocado por bens e serviços que satisfaçam as necessidades e desejos das pessoas.

A função unidade de conta diz respeito ao fato de que os bens, serviços, direitos ou dívidas podem ser expresso em forma numérica de uma determinada quantidade de dinheiro. Exemplo: uma casa está a venda por “X” reais, um corte de cabelo custa “X” reais, alguém tem “X” reais a receber de outra pessoa, etc. Essa função também se relaciona com a anterior, pois quando se estabelece que alguma coisa tem relação com uma quantidade de dinheiro, é porque essa coisa pode ser trocada por dinheiro.

A função reserva de valor relaciona-se à condição de reserva financeira, onde o dinheiro pode ser guardado para ser usado em data futura, havendo a possibilidade conservar o seu valor. Quando se guarda dinheiro, o objetivo é gastar no futuro.

A função essencial do dinheiro é realmente servir como meio de troca para aquisição de bens e serviços. Mas é preciso ter planejamento para os gastos para evitar situações desagradáveis que comprometam a capacidade de adquirir bens e serviços essenciais às pessoas.

Dinheiro é, portanto, apenas um instrumento de que o ser humano pode fazer uso para satisfação de algumas necessidades materiais. As pessoas não devem se “apegar” excessivamente ao dinheiro, mas precisam administrá-lo para ter que se preocupar menos com ele.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

FINANÇAS PESSOAIS: INVESTIMENTOS E FINANCIAMENTOS

No campo das finanças pode-se destacar três categorias: as finanças empresariais, as finanças públicas e as finanças pessoais. As finanças empresariais dizem respeito à administração do dinheiro pelas empresas, as finanças públicas, como o próprio nome diz referem-se à administração do dinheiro pelos municípios, estados e União e as finanças pessoais a administração do dinheiro pelas pessoas.

Em qualquer delas há sempre o envolvimento de dois tipos de decisões, as decisões de financiamento e decisões de investimentos. Ambas são faces das mesma moeda. Quanto se trata de dinheiro, geralmente as pessoas lembram do gastar, mas antes de gastar é preciso definir de onde virá o dinheiro para isso. No momento em que se estuda as opções disponíveis para conseguir o dinheiro necessário para qualquer gasto, estar-se falando de decisões de financiamento. O financiamento é, portanto, a origem do dinheiro. O financiamento pode ocorrer através de renda que já foi ganha, como salários, juros, aluguéis, venda de bens e outros, assim como pode acontecer através do endividamento, como os empréstimos, financiamentos e compras a prazo.

As decisões de investimento referem-se à aplicação do dinheiro decorrente do financiamento. Lembro novamente que o termo financiamento aqui não quer dizer necessariamente dívida, mas sim a origem do dinheiro. Vamos a um exemplo simples: as pessoas precisam suprir suas necessidades de alimentação, transporte, vestuário, saúde e outras. Para isso, precisam de dinheiro para comprar os alimentos, pagar pelo transporte, comprar roupas e calçados, etc. As decisões de compra desses bens e serviços são decisões de investimento, pois referem-se onde será aplicado o dinheiro. Agora, definir de onde virá o dinheiro para tal são decisões de financiamento.

Sempre que houver planejamento para tomar decisão de onde gastar dinheiro e onde conseguir dinheiro para esse gasto estamos falando de decisões de investimento e financiamento, independentemente de em que será gasto e da origem do dinheiro. Planejar as fontes de dinheiro e suas aplicações é um passo fundamental para administração das finanças.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Educação financeira é um tema comum nos países desenvolvidos, inclusive fazendo parte do conteúdo da educação básica de muitos deles. No Brasil, o tema tem despertado atenção especialmente através da oferta de produtos de investimentos financeiros pelos bancos e outras instituições do mercado financeiro. O tema, entretanto, é bem mais amplo.

Para conceituar educação financeira, vamos desmembrar os dois termos: educação e financeira. “Educação” é um processo de aprendizado que inclui absorção e compreensão de informações gerando conhecimentos que permitem uma mudança na forma de pensar e agir das pessoas. Veja que educação não é apenas obter informações e “decorar” conhecimentos, é um processo que transforma o ser humano, especialmente pela mudança no jeito de pensar, que pode levar também a mudanças no agir. O termo “financeira” vem de finanças que é o processo de administração do dinheiro. Um autor americano conceitua finanças como a ciência e a arte de administrar o dinheiro. A educação financeira pode ser entendida como o aprendizado necessário para uma eficiente e eficaz administração do dinheiro.

As pessoas devem procurar melhorar seu nível de educação financeira para que tenha que se preocupar menos com o dinheiro, compreendendo que dinheiro é apenas uma das ferramentas de que as pessoas necessitam para sobreviver na sociedade moderna. Dinheiro não é fim, é meio.

A educação financeira passou a gerar maior interesse no Brasil nos últimos anos, devido às mudanças na economia brasileira. Felizmente o nível de empregos vem aumentando,a inflação está sob controle, as pessoas tem mais prazos para pagar suas compras no comércio, é mais fácil tomar dinheiro emprestado, o acesso a contas bancárias também é maior, e isso tudo facilita a compra daqueles bens de maior preço, mesmo para as pessoas que dispõem de renda menor. Mas essas mesmas facilidades podem se transformar em dificuldades para os consumidores, caso não administrem adequadamente suas finanças. Comprar por impulso, tomar dinheiro emprestado sem uma criteriosa análise das prestações, prazos e juros, fazer várias compras ao mesmo tempo que comprometam a capacidade de pagamento são algumas das armadilhas que podem comprometer a saúde financeira e até a saúde física e psicológica das pessoas.

Levar informações e conhecimentos que possam ajudar as pessoas no planejamento e organização de suas finanças é o objetivo deste blog.

Quem sou eu

Graduado em Administração, especialização em Gestão Pública. Bancário e professor no curso de Administração. Certificado como analista de investimentos do mercado de capitais (CNPI), analista registrado na APIMEC-Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais. Certificado em investimentos financeiros na modalidade CPA20 pela ANBIMA-Associação Brasileira das Entidades dos Mercado Financeiro e de Capitais. Cursos de aperfeiçoamento - pela FGV-Fundação Getúlio Vargas:Mercado de Ações a Vista, Finanças Empresariais, Consultoria em Investimentos Financeiros, Gestão de Crédito e Risco, Balanced Scorecard, Gestão de Tesouraria, Finanças Internacionais e Política Macroeconômica, Fundamentos de Economia Internacional; pelo IBMEC-Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais: Matemática Financeira e Instrumentos e Operações do Mercado Financeiro; pela FIPECAFI-Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras: Avaliação de Empresas. Vários anos dedicados ao estudo dos temas Mercado Financeiro e Finanças.Já ministrou várias turmas das disciplinas Administração Financeira e Orçamentária I e II nos cursos de Administração e Ciências Contábeis.

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