domingo, 28 de novembro de 2010

O QUE É A INFLAÇÃO?


A inflação é a perda de valor do dinheiro. Como o dinheiro serve para ser trocado por produtos e serviços, quando uma quantidade de dinheiro não é mais suficiente para comprar o mesmo produto que comprava antes, o dinheiro perdeu valor. Suponha que um par de sapatos custa R$ 100 em determinado momento. Agora suponha que após um ano o mesmo par de sapatos só pode ser comprado com R$ 110. O sapato não teve nenhuma alteração, é formado pelo mesmo material e tem as mesmas características, pode até ser o mesmo sapato de antes que a loja não conseguiu vender. Nesse caso, quem perdeu valor foi o dinheiro em relação ao sapato, já que é preciso uma quantidade maior de dinheiro para comprá-lo. Assim pode acontecer com qualquer outro produto ou serviço.

Medir a inflação não é tarefa fácil, pois a quantidade de produtos e serviços existentes é muito grande e é impossível fazer a medição de aumento de preços de cada um deles. Mas como é importante medi-la, os economistas criaram os chamados índices de inflação. O índice de inflação é um número que representa o aumento médio de preços de um conjunto de produtos em determinado período de tempo. Se um índice de inflação for de 5% em um ano, por exemplo, significa que o conjunto de produtos que fazem parte do índice teve aumento médio de preço de 5% no respectivo ano.

Para calcular o valor do índice, os produtos dentro dele podem ter pesos diferentes. Hipoteticamente, imagine um índice de inflação composto por laranja, maçã, banana, abacaxi e melancia. Nesse índice a melancia vai ter um peso de 60% e as demais frutas terão pesos iguais, cada uma 10%. Isso significa que a melancia vale mais para o índice do que as demais frutas. Para encontrar o índice é preciso saber a variação dos preços de cada uma das frutas em determinado período e depois calcular a média de aumento, levando em consideração o peso que cada fruta tem no mesmo. Como a melancia representa 60% , um aumento pequeno no preço dela vai fazer com que o índice aumente mais do que se o mesmo aumento de preço acontecer nas demais frutas. Isso explica uma dúvida comum em muitas pessoas, especialmente as donas de casa quanto vão às compras: “como é que o governo diz que inflação está baixa, se o preço de produto tal aumentou demais?” Esse questionamento faz sentido e é justificado pela forma como o índice é calculado. No exemplo do índice hipotético das frutas, um dos produtos com menor peso no índice pode ter um grande aumento de preço, mas se o preço da melancia não aumentar ou até diminuir, o aumento médio pode ser muito pequeno, o que causa essa distorção onde se tem um produto que aumenta muito o preço e esse aumento causa pouco impacto no índice de inflação. Se um produto não fizer parte do índice, seu aumento não vai impactá-lo. Exemplo: se um carro de luxo (desses comprados por milionários) aumentar por exemplo 200% não terá impacto nenhum nos índices de inflação no Brasil, pois esse tipo de produto não faz parte de nenhum índice de inflação.

No próximo texto, será comentado sobre dois importantes índices de inflação no Brasil.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

É POSSÍVEL DEVER E POUPAR AO MESMO TEMPO?


Alguns economistas e consultores financeiros por vezes sustentam que as pessoas devem comprar sempre a vista para evitar pagar juros. Esse pensamento leva em consideração apenas o lado financeiro do consumo. Não pagando juros, o poder de compra das pessoas aumenta. Mas um outro ponto precisa ser considerado: as pessoas estão sempre dispostas a esperar acumular dinheiro pelo tempo necessário para compra de bens de mais alto valor? Bens como eletrodomésticos, automóveis, a casa própria, em razão de ter valor mais elevado, geralmente são comprados através de financiamento, seja diretamente pelo vendedor, seja através de bancos ou financeiras.

Sempre que alguém compra a prazo ou através de um financiamento irá pagar um preço maior que o preço a vista. Mesmo que o vendedor informe que o consumidor pagará em “tantas” vezes sem juros, os juros já estão embutidos no preço do produto. Pagar juros em si não é o problema, pois o pagamento deles representa o preço pela antecipação do consumo, ou seja, paga-se um valor a mais para ter o direito de usar o bem adquirido antes de conseguir a renda para comprá-lo à vista. O que deve ser analisado é se os juros são compatíveis com a capacidade de pagamento e se antecipação do consumo compensa o pagamento desse juro.

Voltando ao título do nosso texto. Imagine que alguém resolve iniciar uma poupança para acumular o valor de entrada para compra da casa própria. O primeiro passo para poupar foi dado, ou seja, estabeleceu o objetivo para o dinheiro poupado. Agora imagine que essa pessoa necessite adquirir uma nova geladeira, pois a que possui apresenta sérios problemas e já não compensa recuperá-la. O que fazer: comprar a geladeira a vista utilizando parte da poupança até então guardada ou comprar a prazo? Essa é uma decisão de carácter pessoal, a pessoa terá que escolher entre pagar juros para antecipar o consumo ou não pagar juros e reduzir a poupança destinada à compra da casa pagando a geladeira a vista.

Se a pessoa seguir a orientação dos especialistas citada no início deste texto, optará por não pagar juros e comprar a geladeira à vista. Entretanto, agindo assim, terá que esperar mais tempo que o anteriormente previsto para juntar o valor necessário à entrada da casa própria. Por outro lado, se decidir comprar a prazo, deve avaliar o valor dos juros cobrados e se a prestação da compra permitirá pagar suas demais despesas e continuar poupando para a aquisição da casa, mesmo que o valor a ser guardado seja menor. Ambas as alternativas são possíveis e depende de cada situação e do comportamento de cada pessoa.

Logo, é possível sim dever e fazer poupança. Quando se decide fazer poupança, deve haver objetivo a ser dado ao dinheiro e sempre que o objetivo for desviado, um sacrifício maior de poupança (poupar mais tempo ou aumentar o valor a ser poupado) terá que ser dado. Por outro lado, nem sempre a renda é suficiente para compra de bens de maior valor e muitas vezes de compra inadiável. É preciso analisar bem entre sacrificar a poupança destinada a um outro fim para comprar esse bens à vista ou manter a poupança e comprar a prazo. Optar por não sacrificar a poupança e usar o crédito de forma planejada pode ser uma atitude que permitirá melhorar a condição de poupança. É importante que mesmo usando o crédito as pessoas procurem também poupar.

sábado, 13 de novembro de 2010

A IMPORTÂNCIA DE POUPAR

Poupar é deixar de gastar parte da renda hoje para gastar no futuro. É trocar consumo presente por consumo futuro. Qualquer agente econômico (governo, empresas e pessoas) pode ter poupança. A soma das poupanças do governo, empresas e pessoas forma a poupança do país. A poupança do país é importante para garantir os investimentos necessários para geração de emprego e renda. Através dos bancos e outras instituições do sistema financeiro o dinheiro poupado chega até aqueles que desejam fazer investimentos.

No Brasil o hábito de poupar ainda não está generalizado entre as pessoas. Até meados da década de 90 o país convivia com elevada inflação e essa situação dificultava o planejamento financeiro e, por conseqüência, o ato de poupar. Controlada a inflação, e mais recentemente com o aumento da renda e a facilidade para conseguir empréstimos e financiamentos, as pessoas puderam aumentar seu nível de consumo, comprando aqueles bens como eletrodomésticos, veículos, casa própria e outros, pois as condições anteriores não permitia. O aumento da renda também permite aumentar a capacidade de poupança, porém o brasileiro é mais propenso a direcionar o aumento de renda para consumo.

Consumir é necessário, especialmente quando o consumo melhora a qualidade de vida das pessoas. Mas é importante juntamente com o consumo adquirir o hábito de poupar. Poupar ajuda o país a se desenvolver e diminui o risco das pessoas enfrentarem dificuldades financeiras. Quem tem uma reserva financeira está mais preparado para enfrentar dificuldades relacionadas à falta de dinheiro. A poupança deve ser formada de acordo com a renda de cada um, através de planejamento dos ganhos e dos gastos. Organizando adequadamente os gastos e adequando-os à renda é possível “sobrar” algum dinheiro para usar em momento futuro. Outro fator importante é que a poupança não deve ser formada através da privação de necessidades básicas, como alimentação, moradia, saúde, educação e outras. A melhor poupança não depende necessariamente do valor. É aquela formada com valor que a pessoa pode reservar, sem preocupação ou “dor na consciência” de que alguma coisa básica deixou de ser comprada para guardar o dinheiro. Portanto, poupe, seja quanto for, é bom para você e é bom para o país.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

TAXA BÁSICA DE JUROS OU TA XA SELIC

Nos dias 19 e 20.10.2010 ocorreu mais uma reunião do COPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil para definição da taxa básica de juros do país. A taxa não foi alterada mantendo-se em 10,75% ao ano até a próxima reunião. Mas o que essa taxa tem a ver com vida de cada um de nós? Tem muito a ver. Ela é quem direciona todas as demais taxas de empréstimos, financiamentos, crediário no comércio e aplicações financeiras. Por isso é chamada taxa básica de juros da economia.

A taxa básica de juros é a taxa que o governo federal paga quando toma dinheiro emprestado aqui no país. Como a necessidade de dinheiro do governo é muito grande, ele toma dinheiro emprestado a vários bancos e outras instituições do mercado financeiro, através da emissão dos chamados títulos públicos. Títulos públicos são “documentos” em que constam as condições da dívida assumida pelo governo, como: valor, prazo de vencimento, juros e outros. Como o governo consegue interferir nos demais juros?

O governo possui uma dívida muito alta. Para se ter uma idéia, em agosto/2010 a dívida pública do Brasil estava em torno de 1 trilhão e 600 bilhões de reais! Nenhuma pessoa ou empresa no país deve tanto. Ao longo do ano essa dívida vai vencendo e precisa ser paga. Entretanto, o governo não tem condições de liquidar a dívida, pois a quantidade de impostos arrecadada está quase totalmente comprometida com as despesas normais do governo. Resta então “jogar” a dívida para data futura. O governo emite novos títulos públicos, com data de vencimento mais adiante, consegue dinheiro para pagamento da dívida que está vencendo e a nova dívida fica para data futura. A dívida é “empurrada com a barriga”, o que na linguagem econômica denomina-se rolagem da dívida pública. Esse processo de rolagem da dívida pública é comum em qualquer país com dívida.

Voltando aos juros. Lembrando que os juros representam o preço do dinheiro, vamos fazer a seguinte comparação: imagine que uma cidade possui uma indústria de laticínios e essa indústria é especialista na produção de queijos. Na cidade há vários pecuaristas que produzem leite e podem vender esse leite tanto à indústria quanto às pessoas para consumo. A indústria necessita de uma grande quantidade de leite e, portanto, tem o poder de determinar o preço do leite nessa cidade. Assim sendo, o preço do leite é estabelecido pela indústria de laticínios devido ao seu poder sobre os produtores de leite. De forma semelhante pode ser explicado o comportamento do governo na definição dos juros. Como o governo precisa de muito dinheiro para fazer a rolagem da dívida, é ele quem determina o preço do dinheiro, que são os juros, através do COPOM (lembrando que é um comitê do Banco Central).

Quando o Banco Central aumenta a taxa de juros, os bancos preferirão emprestar para o governo a emprestar para as pessoas e empresas, pois o risco é menor, uma vez que o governo procura sempre pagar no prazo. Nessa situação o dinheiro fica mais escasso e as pessoas terão mais dificuldade para conseguir crédito e comprar a prazo, assim como o governo vai pagar mais juros. Se a taxa baixa, emprestar para o governo passa a ser menos interessante e os bancos procurarão emprestar mais para as pessoas e empresas, o dinheiro fica mais barato, pois está mais abundante, e a facilidade para conseguir empréstimos e compras a prazo aumenta. O governo pagará menos juros.

Mas por que o nome taxa Selic? Selic significa Serviço Especial de Liquidação e Custódia e é um sistema do Banco Central que registra todas as operações que envolvem os títulos públicos. Quando o governo emite novos títulos públicos para rolagem da dívida, por exemplo, esses títulos são registrados no Selic. Como a taxa básica é a taxa paga pelo governo quando emite os títulos, ela passou a ser “apelidada” de taxa Selic.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Planejar é estabelecer objetivos e elaborar planos com as ações que permitam alcançá-los. O planejamento financeiro constitui o estabelecimento de objetivos de curto e longo prazo envolvendo o uso do dinheiro e as ações a realizar no sentido de alcançar esses objetivos. Assim, o primeiro elemento de um planejamento financeiro é a definição de objetivos.

O planejamento financeiro faz-se necessário porque há diversas alternativas a escolher para uso do dinheiro. Dessa forma é preciso fazer escolhas entre aquelas alternativas que levam e as que não levam ao alcance dos objetivos. A escolha deve ser por aquelas que conduzem aos objetivos definidos, ou do contrário, o planejamento perde seu sentido.

Em termos de prazo os objetivos financeiros mais imediatos são chamados de objetos de curto prazo. Eles envolvem normalmente a utilização do dinheiro em elementos ligados à própria sobrevivência, como os gastos com alimentação, moradia, vestuário, saúde, educação, transporte, etc. Os objetivos de longo prazo devem ser pensados quando as necessidades mais imediatas estiverem satisfeitas. Dentre esses objetivos pode-se citar: a compra da casa própria, compra de um veículo, realização de uma viagem, educação dos filhos, aposentadoria, dentre outros.

Um elemento muito importante para o estabelecimento dos objetivos financeiros diz respeito ao fato de que eles necessitam ser viáveis, isto é, estar dentro da capacidade financeira da pessoa. Por exemplo: imagine um jovem que acaba de ingressar no mercado de trabalho e estabelece como objetivo conseguir juntar uma reserva financeira que garanta sua sobrevivência após cinco anos de trabalho. Esse objetivo é incompatível, por mais elevada que seja sua renda, pois uma reserva financeira para garantir a aposentadoria leva anos para ser formada.

Muitas pessoas enfrentam dificuldades com o dinheiro, não por ter renda pequena, mas por falta de planejamento no uso do dinheiro. Além da definição dos objetivos, no planejamento financeiro deve-se trabalhar sempre com prioridades, e à medida que os objetivos mais imediatos sejam alcançados, os esforços podem ser direcionados para outros objetivos.

Quem sou eu

Graduado em Administração, especialização em Gestão Pública. Bancário e professor no curso de Administração. Certificado como analista de investimentos do mercado de capitais (CNPI), analista registrado na APIMEC-Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais. Certificado em investimentos financeiros na modalidade CPA20 pela ANBIMA-Associação Brasileira das Entidades dos Mercado Financeiro e de Capitais. Cursos de aperfeiçoamento - pela FGV-Fundação Getúlio Vargas:Mercado de Ações a Vista, Finanças Empresariais, Consultoria em Investimentos Financeiros, Gestão de Crédito e Risco, Balanced Scorecard, Gestão de Tesouraria, Finanças Internacionais e Política Macroeconômica, Fundamentos de Economia Internacional; pelo IBMEC-Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais: Matemática Financeira e Instrumentos e Operações do Mercado Financeiro; pela FIPECAFI-Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras: Avaliação de Empresas. Vários anos dedicados ao estudo dos temas Mercado Financeiro e Finanças.Já ministrou várias turmas das disciplinas Administração Financeira e Orçamentária I e II nos cursos de Administração e Ciências Contábeis.

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